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Re: DUBAI Destino do Luxo
by Anonymous
Essa visão que apresenta do Dubai é uma realidade, mas não passa de folclore. Os expatriados, geralmente ofuscados pelo glamour, não conhecem o lado obscuro dos emiratos. Se visitasse o bairro Sonapur, onde vivem operários da construção civil, ficaria surpreendido com o cenário muito semelhante a uma favela brasileira, cheiro a dejectos, água estagnada e lixo amontoado. Com um ordenado médio de Eur 100,0, tiveram de recorrer à greve, como medida extrema contra a exploração a que eram sujeitos. A pobreza, a viver lado a lado com a opulência dos shoppings, do barroco levado ao extremo do Burj-al-Arab ou do piroso Burj Dubai, onde um universo operários escravizados, contribui para a construção destes projectos tão megalómanos quanto a riqueza dos emires. E se tivermos em linha de conta que estes emigrantes são obrigados a entregar o passaporte à chegada, temos o cenário propício para a escravidão do século XXI, apoiada na realidade do “D. Corleone”, praticado em todos os emiratos árabes. Dubaibilónia, uma amálgama de contrastes onde a greve é a única actividade exótica da qual não se pode falar. Mas o petróleo tem os dias contados, é o fim do El Dorado. Os milhares de unidades hoteleiras terão de ser economicamente viáveis, o que me parece uma miragem, após a assinatura do programa “nuclear” assinado exclusivamente para uso “doméstico” (lololol). Não deve ser nada atraente estar na praia com a DubaiChernoby, ao virar da esquina. De qualquer forma, a crise financeira que se instalou a nível global, vai ter resultados imprevisíveis. Muitos investimentos, por falta de crédito, foram cancelados. Tal como as pirâmides de Gizé, as MegaTowers permanecerão para a posteridade como empreendimentos faraónicos resultantes da estupidez humana. Isto, se os extremistas islâmicos não embirrarem com este tipo de projecto, que em nada se assemelha ao seu culto por tudo o que é medieval. Mas nem é preciso a intervenção dos extremistas, a ilha artificial Palmeira Jumeirah, que é um dos cartões postais da cidade, está a transformar-se num espaço fantasmagórico, quando se abrem as torneiras de seus hotéis, só saem baratas.
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