Pesquisa pessoal feita na Bibioteca Municipal da Covilhã em 21 de Janeiro de 2001
Os meus agradecimentos ao Jornal do Fundão pela disponibilidade nesta pesquisa

Reprodução de artigo editado no JORNAL do FUNDÃO de 8 de Junho de 1969 com o título

«Continuam a sair os doentes do Sanatório das Penhas das Saúde»

Quando uma máquina é construída, tem uma utilidade que não se deve nega-lhe. Concretizemos: se um tear é colocado numa enorme secção duma fábrica e não lhe é dada matéria-prima para fabricar fazenda, o fim da sua construção não é conseguido. E, de depois de laborar durante muitos anos deixa de se justificar o seu trabalho porque não haja mais fazenda para fazer ou por qualquer outro motivo, continua a verificar-se a sua inutilidade. Há que envia-lo para a sucata, ou, quando isso não suceder, adapta-lo a outro fim.

Na passada terça-feira tomámos o comboio que passa na nossa cidade às 6 e quarenta da manhã. Logo que chegámos à estação verificámos a efervescência do ambiente e o desusado movimento de pessoas. Reparámos depois que grande número de homens se tratava com afabilidade e grande conhecimento, mostrando, alguns alegria e outros resignação.

No comboio resolvemos meter conversa e eis que fomos felizes pela oportunidade que nos ali levara. Eram cerca duma dúzia de homens que haviam saído do Sanatório nessa manhã e se dirigiam para outros sanatórios. Um ou outro, já curados, regressavam a casa, mas, a maioria iam transferidos para outros estabelecimentos, principalmente para Lisboa.

Perguntámos: Vão-se embora porquê?
Responderam-nos: Ainda não ouviu dizer que o sanatório vai fechar? Têm estado a sair todos os dias dezenas e talvez ainda esta semana fique vazio. Como vê hoje vamos nós, mas ontem foram outros e tem sido assim de há uns tempos para cá.

Conseguimos o que queríamos por feliz acaso que ali nos obrigava a ir. Aceitemos a realidade tal como ela se nos oferece: para que lutar contra a corrente?

João Sernana