Levar um cão guia para um Hotel

 

Muitas famílias vivem o drama de possuírem animais domésticos e não lhes ser possível levá-los em viagens principalmente por restrições relacionadas com o alojamento. Compreende-se a política de alguns hotéis não aceitando animais. Quantos de nós gostaríamos de dormir num quarto com vestígios de terem por lá estado animais? Para solucionar divergências deste género cabe ao hotel definir a política de acesso a animais. E muitos escolhem vedar-lhes o acesso. Até aqui tudo bem. Mas existem situações particulares.

O caso retratado neste artigo é diferente. Tratam-se de pessoas incapacitadas que se fazem acompanhar por cães-guia e, nestes casos, os hotéis, tal como outros estabelecimentos de acesso público, não podem vedar o acesso a estes animais.  Segundo o Decreto-Lei nº74/2007  o livre acesso deste animais a hotéis, restaurantes e outros espaços junto dos seus donos é um direito de qualquer pessoa com incapacidade, motora e não apenas visual como estava já contemplada na Lei Portuguesa desde 1999. Ou seja não são apenas os cegos e amblíopes que se podem fazer acompanhar de cães-guia mas um sem número de pessoas portadoras de outras deficiências cujo apoio destes animais se tem mostrado importante se não essencial para a sua qualidade de vida.

Para testar a sensibilidade dos hoteleiros efectuei um pequeno teste, numa amostra de 10 hotéis de referência em Portugal. Solicitei uma reserva de 01 Quarto duplo + 01 cão-guia, mencionando sempre que os clientes seriam acompanhados por um cão guia e que este dormiria no quarto, os resultados foram estes:

O Marriott de Praia d’El Rey em Óbidos, o Hotel da Cartuxa em Évora, o Hotel AC e o Ipanema Park no Porto, o Hotel Régua Douro na Régua, o Hotel Vila Galé Atlântico e o Ritz em Lisboa aceitaram a reserva do quarto com a permanência no quarto do cão-guia. Ainda assim 3 hotéis negaram o acesso ao cão guia. Foram eles o Hotel Tryp 4**** em Coimbra que informa que não aceita animais, o Convento do Espinheiro 5*****em Évora que responde que a política do hotel não permite a entrada a animais tal como o Hotel Tivoli Marinhotel 5***** em Vilamoura alega também a política do hotel para negar a reserva.

É estranho que estes hotéis desconheçam esta lei, que lhes diz directamente respeito, para além da sua classificação não lhes permitir este comportamento. A importância deste caso é grande porque quase sempre obriga as pessoas que têm um cão guia a terem de recorrer às autoridades policiais para poderem ficar alojado nestes hotéis.

 

Editado no Jornal Diário de Viseu, em 2 de Agosto de 2008