Parece de propósito. Todos os anos na época de Verão repetem-se as noticias trágicas de atentados em locais  densamente turísticos.

A última semana não foi excepção. Nos locais de sempre: Afeganistão, Iraque, Índia e Turquia. Os atentados de sempre: bombas, feridos, ambulâncias, choro. Imagens que passam vezes em conta nas televisões um pouco à conta da falta de outras notícias num Verão em que nem incêndios tem havido.

Como agente turístico esta é uma questão delicada  e a ordem é nunca arriscar. Mas atrevo-me a levantar a questão: o que pensará um turista ao ver no seu país as imagens dos acontecimentos da Quinta da Fonte em Lisboa? Teria ele motivação para visitar o nosso país? Depois de ver grupos descontrolados de armas na mão? Existirá alguma diferença entre estas imagens e o rebentamento de uma bomba numa zona residencial de Istambul? E que risco corremos nós em viajar para a Turquia? Provavelmente o mesmo risco que um inglês ou um viseense (porque não?) correm ao visitar Lisboa.

Nestes dois pontos os conflitos, atentados ou outra coisa que se lhe chame, ocorrem sempre em áreas residenciais onde grupos rivais ajustam contas. Para este pânico e a consequente perda de turistas muito têm contribuído as televisões porque inflamam as notícias com imagens de vítimas alertando os telespectadores que as imagens podem ferir a nossa susceptibilidade. E explorando assim uma curiosidade mórbida que é inata ao ser humano.   

Recordo há uns anos ter havido um sismo nos Açores que causou apenas danos materiais mas a notícia foi transmitida nas televisões internacionais como tendo ocorrido “um terramoto em Portugal”. Por essa altura quem se sentiria seguro em visitar Lisboa se estávamos num pós-terramoto aqui tão perto, nos Açores?

Relativizar e analisar com frieza é importante em tudo na vida. Na ligação atentados e turismo é de todo primordial  sob pena de perdermos um óptimo destino de férias.

 

Editado no Jornal Diario de Viseu, em 19 de Julho de 2008