Que atravessamos uma crise económica e que o poder de compra dos portugueses diminuiu já não é novidade. Sabemos também que esta crise não foi provocada pelo actual governo ou pela oposição frouxa que temos porque a crise é mundial.

O que não é saudável é vivermos mergulhados neste pessimismo de desgraça e de crise. Já todos na Europa nos olham como um país da cauda e ganhámos fama de sermos as pessoas mais deprimidas.

Só quem não vê os telejornais é que certamente poderá fugir a este clima de depressão. As notícias de abertura são de mortes e acidentes ocorridos em todo o mundo. Ora são inundações nos EUA, os incêndios na Austrália, os atentados no Médio Oriente, a queda de um avião num sítio que ninguém conhece, os aumentos de combustíveis, as taxas de juros. Como podemos ser um povo alegre em Portugal com tanta desgraça a entrar-nos pelos olhos dentro?

É importante manter o discernimento e não nos enredarmos nesse nó cego de negatividade.

Há imensas empresas bem sucedidas mesmo em tempo de crise em Portugal. Possuímos uma riqueza inestimável em termos de património natural e cultural. Somos um povo hospitaleiro e trabalhador. Não devemos deixar que a nossa auto-estima seja afectada por conjunturas menos favoráveis. O valor que nos reconhecem é aquele que nós próprios nos atribuímos. Sem complexos. Daí sim depende a graça ou a desgraça do país.

Todos os dias há acontecimentos felizes que não «vendem» notícias. Todos os dias acontecem pequenos «milagres» perto de nós cujos responsáveis são pessoas empreendedoras que, muito provavelmente, não vêem telejornais absurdos e não são, por isso, menos informados. Pelo contrário!

Editado no Jornal Diário de Viseu, em 12 de Julho de 2007