Nas terras altas de Barroso, que incluem as Serras do Gerês, do Larouco e do Barroso, subsistem ainda aldeias comunitarias, onde a entreajuda, hoje mecanizada deixou marcas na historia.  Num cenario grandioso entre montanhas e vales, fragas e matos, vivem gentes genuinas que criam gado e trabalham as terras não as deixando ao abandono.

        

                                   A vida rural de Tourém

O concelho de Montalegre é conhecido por ser uma terra de aldeias por excelência, são mais de 132 aldeias, nelas gentes do trabalho vivem em comunidade e partilham vivências. Nas suas ruas de granito é frequente verem-se mais animais do que pessoas, as casas que antigamente eram cobertas de colmo, são agora de granito e a maioria de telha moderna. No rés-do-chão ficam a arrecadação da lenha, o celeiro das batatas e a adega e ainda alojam vacas, porcos, ovelhas, galinhas e o burro. O lugar mais activo das casas são a cozinha, espaço de convivio, com a lareira e chaminé , às vezes de boas dimensões para secar o fumeiro.

Tourém, é uma dessas aldeias, a última antes da fronteira com Espanha, situada em pleno Parque Natural Peneda-Gerês. A sua configuração entra por terras galegas, da qual partilham amizades, casamentos e boa vizinhança. Num extremo da aldeia encontramos o Forno comunitario construído todo em pedra e coberto em lages de granito, é um monumento singular, simbolo do comunitarismo vivo. Funcionou até hà 20 anos atrás, onde todas as segunda-feiras um dos habitantes ficava encarregue de trazer lenha e aquecer o forno para toda a aldeia. Ainda podemos ver a Tia Rosa à porta de sua casa fiando a lã com uma pequena roca, onde faz as meias que  vende aos turistas que por aqui passam.

                          

                                 Forno Comunitario

                                             

                                                                A Tia Rosa a fiar nas escadas de sua casa

Outro tesouro é a Casa dos Braganças, outrora uma abastarda casa fidalga intimamente ligada aos Duques de Bragança e cujas origens se dissiparam no tempo. Hoje é uma casa de turismo rural.

À nossa espera, os donos da casa recebem-nos como se da família fossemos, são dispensadas as formalidades de identificação, preenchimento de ficha ou assinaturas. É como se tivessemos chegado a casa, instalamo-nos e tomamos uma bebida quente para aquecer a alma depois da longa viagem.

A recepção funciona nos antigos estábulos à entrada do portão principal. Ainda são visiveis as seteiras por cima do portão de entrada, que são orificios abertos na pedra que serviam aos seus habitantes para se defenderem atirando directamente sobre quem, com más-intensões ali chegasse, vindos sobretudo do outro lado fronteiriço. Entrando no patio facilmente se advinha a majestosa casa, com os seus 12 quartos que nos transportam a outros tempos. São quartos espaçosos, dispondo de todo o equipamento moderno, mas decorados em harmonia com a casa. O quarto das Pinturas e a sala de estar apresentam aindas as pinturas originais no tecto de madeira. Junto à sala está a biblioteca que conserva um alçapão de acesso ao esconderijo, bem necessario nos tempos das invasões francesas.

           

                                            A entrada principal da Casa dos Braganças

As refeições na casa são feitas no forno por encomenda, os amantes da boa gastronomia encontram aqui a mais pura raça bovina, a barrosã, assim como o saboroso cabrito e a tenra vitela. A arte do turismo rural é muito sensivel porque é dificil encontrar um equilibrio entre a liberdade do hospede e a privacidade dos donos. Na Casa dos Bragança esse equilibrio é perfeito!  

                                                              Editado no Jornal Diário Regional de Viseu, em 18 de Maio de 2007

 

OUTRAS HISTORIAS:

A história da Casa dos Braganças perdeu-se no tempo. A casa e os terrenos foram postos à venda por 500 contos (2.500 euros) há cerca de vinte anos. Era muito dinheiro para altura e não havia interessados, até que alguém comprou e foi vendendo em parcelas separadas. A Casa foi adquirida pelos actuais donos que mantiveram dentro do possivel a traça original.

A ultima habitante da casa (uma senhora idosa) viveu numa parte da casa desde que os seus pais faleceram, isso até ao dia que caiu na cozinha e foi encontrada mais tarde já sem vida.

Conta-se na Casa que um dia alguém se virou para a Senhora idosa e lhe disse que só ia à missa (na igreja que fica poucos metros acima da Casa) porque era "amiga" do padre. Ofendida com tais palavras, a Senhora fechouse em e não voltou a ser vista na aldeia, passando os seus dias sentada à janela, observando quem passavana rua. Alimentava-se de frutas das terras da Casa e de comida que pessoas na aldeia lhe levavam.

O unico herdeiro da casa, um médico do Porto, acabou por levar todo o receio existente, não restando actualmente nada dessa época. A Casa foi deixada ao abandono durante muitos anos.

Outra curiusidade são as seteiras em cima da porta principal da casa, onde os actuais proprietarios colocaram uma arma pronta a defender a casa dos intrusos. O quarto das Pinturas é um quarto lindo, confortavel e um dos mais bonitos da casa. Todos têm caracteristicas e historias diferentes. Na actual biblioteca existe um alcação que ainda não foi explorado. Os que já lá foram viram que não termina no piso abaixo e pode perfeitamente ter uma passagem subterranea para fora da casa, ou talvez albergue um tesouro escondido ...

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