Desde há alguns anos que se vem a discutir a importância que o turismo representa para o país. Muitos analistas chegam mesmo a avançar que o futuro do país ao turismo pertence. A nossa vocação turística resulta não só das excelentes condições climáticas, mas também das características culturais e paisagísticas. Transpondo este cenário para o contexto regional, e já que não dispomos da dupla “sol e praia” teremos de ser capazes de atrair turistas e visitantes que procurem novas experiências, novos destinos, enriquecimento cultural e gastronómico. Actualmente o sector do turismo tende a fugir dos lugares comuns, da massificação, dos conceitos repetitivos, procurando como alternativas cada vez mais a diferenciação e a qualidade. Esta pode ser a oportunidade da região de se desenvolver e qualificar para um turismo mais expressivo, já que dispomos de excelentes recursos naturais, de boas estruturas hoteleiras e rodoviárias. Já não temos a desculpa de sermos uma região isolada e sem acessos, é tempo de apostar forte e sem medos. No entanto, só se conseguirá um bom resultado se houver um investimento responsável nos factores chave: qualificação de recursos humanos, promoção regional e requalificação das nossas aldeias, vilas e cidades. É necessário ainda que haja uma mudança nas prioridades dos empresários, já que os visitantes e turistas não consomem somente alojamento e restauração. Compram bens, tomam contacto com empresas da região e, se a visão de investimento responsável e a aposta na diferenciação não for compartilhada por todos os empresários, a aposta no turismo pode falhar. É nesta dinâmica regional de atracção de outros consumidores, os turistas, que reside a oportunidade que o comércio tradicional e as microempresas tanto necessitam. Neste panorama a primeira prioridade deverá ser a aposta na formação profissional pois esta, não se compadece com uma visão tímida, deve-se sim, tornar uma verdadeira chave de sucesso. Esta aposta na qualificação dos recursos humanos deve ser feita numa estreita parceria entre as instituições e os grupos empresariais. Talvez seja este o aspecto mais importante para se encontrar um modelo de diferenciação e qualificação assente numa autêntica visão estratégica. Enfrentamos pois o desafio de desenvolver um turismo sustentável, que pressupõe uma diversificação da oferta e do aumento substancial da qualidade do serviço. Teremos de ser capazes de encontrar a excelência do serviço para que quem nos visita saia surpreendido. Não nos devemos confinar a resultados medíocres.

Publicado na Revista das 300 maiores Empresas da Região de Viseu
Jornal Diário Regional de Viseu, em Novembro de 2007